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Da Arte da Sobrevivência

15.06.22

... acerca de mim.


sobrevivente

 

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Iniciei esta viagem há umas semanas e quero desde já te agradecer por aqui passares e dedicares algum to teu precioso tempo àquilo que por aqui vou escrevendo. Por isso, o meu muito obrigado. 

Talvez tenha chegado na altura de falar um pouco acerca de mim. Mais do que aquilo que está no primeiro post. Falar um pouco de quem sou e porque me eis aqui chegado. 

 

Para mim escrever sempre foi algo o qual gostei fazer. Como aparentemente, não tenho nenhum ou grandes problemas de socialização, em conversar com pessoas, pelo menos é isso que toda a gente está convencida, mas a verdade é que quanto àquilo que sinto, quanto à forma como entendo a vida, como vejo a vida, as minhas emoções, há muito que o faço através da escrita. Só através da escrita. É assim que o tenho feito desde há muitos anos. E isso faço-o sempre de forma privada. Devem estas, ser as primeiras vezes em que escrevo para outros. Para outros lerem, quero eu dizer. 

Não que considere ter alguma coisa para dizer. Algo de importante ou significativo, muito ou pouco para dizer ao Mundo. Considero sim que tenho uma vontade enorme de deixar algum registo. De deixar uma qualquer partilha. Partilhar algo, nem que seja apenas e só comigo, mas quero deixá-la. Talvez seja esta minha necessidade de me convencer que não sou transparente. De que por aqui passei e por aqui deixei algo. 

E isto, talvez, porque cheguei a um ponto na minha vida, à chamada meia-idade, e olhando para trás a verdade é esta, não tenho nada para deixar. Nada. Infelizmente a minha passagem por esta existência não contribui ou contribuiu em nada, não trouxe, não vai trazer nada de novo. Não ajuda nada. Não ajudou ninguém. E isso magoa. Pesa. Pesa bastante. E não gosto de ter essa consciência. De saber disso. De ter noção disso. 

 

Nunca foi minha intenção, não é minha intenção ganhar dinheiro com isto. De transformar isto, seja lá o que isto for, num qualquer manuscrito, num qualquer muro de lamentações. Até porque são nesta altura, muito poucos os objetivos que tenho.  

Entre esses poucos e raros, um deles é acabar de pagar a casa de quem comprei. A casa onde planeei construir uma vida que acabou por não acontecer. Mas acabei por ficar com ela. Uma casa da qual não me desfiz, por nenhuma outra razão que não este receio, este medo, este peso que sinto quanto à inutilidade que foi, que é a minha existência. 

Faltam-me nesta altura, cerca de €50.000 para acabar de a pagar. Oito anos. Mais oito anos de renda e aquilo que já percebi aquilo que aí vem não me vai muito provavelmente, permitir cumprir mais este objectivo.  

Mais um a juntar à minha longa lista de fracassos. 

Estamos em Junho de 2022, 17 de Junho e já sei que a renda vai aumentar exponencialmente nos próximos meses. Que não vou conseguir encontrar trabalho. Que vai ser muito difícil encontrar trabalho e, consequentemente, falhar mais este sonho. Mais este objetivo. O mais certo é ter que me desfazer da casa. Ter que lidar com mais um fracasso. Com mais um da minha já longa lista. E isso magoa. Pesa-ma ter que o admitir. Reconhecer. E mais ainda ter que o partilhar. Pesa muito. Demasiado. 

 

Porquê o blog? A resposta, por que não? Há tanta gente a escrever coisas que não valem a pena. Tanta coisa sem qualquer valor ou significado. Por que não também eu? Mais não seja para ocupar tempo. Até porque os currículos vão e não voltam. Nem resposta me dão. 

Preciso de encontrar trabalho. Rapidamente. Preciso encontrar um rendimento e nem sei o que fazer. Não sei quem me poderá dar trabalho. Nem sei o que poderei fazer. Tenho concorrido a tudo e estou nisto há 3 meses. Todos os dias. Todos os dias envio dezenas e dezenas de currículos e nem uma resposta, Nem um vai para o caralho! 

Acho que não vou conseguir encontrar trabalho. Nem sei se não tenho outra alternativa senão esperar pela morte. Aguardar até ao dia em que se lembrar de mim e me venha buscar. 

Não queria fazer ter que os meus passassem por isso. Por toda essa dor. A dor de perder alguém. Acho que já os castiguei demasiado. Já puni demasiado os seus espíritos. Obriga-los a mais esse castigo é egoísta da minha parte.  

Nunca tive uma relação fácil com os meus. Acho que nunca ouvi o meu pai dizer que tenho orgulho em mim. De me dar um elogio. Ainda que saiba que me gabava a outros enquanto eu não estava presente. Mas era a mim a quem devia de o ter dito. Não a outros. Era eu quem precisava dessas palavras. Sei que tem uma forma difícil de se expressar. Eu compreendo isso. Foi assim que cresceu. É assim que é. Mas não atiro as minhas falhas para cima de ninguém. Ninguém. As minhas falhas são todas minhas. Não o culpo, nem a ele nem a ninguém, delas. São minhas. Eles foram e são extraordinários. Tomara eu ter sido metade daquilo que eles foram e são. Só queria mesmo ser metade. E seria feliz. 

Não tenho descendência. Não tenho filhos. Nem isso lhes dei. Nem o prazer de ter netos. Dei sim, dou sim apenas preocupações. Muitas preocupações. E uma das coisas que gostava de fazer era não lhes partir mais coração. Mas nem isso sei se conseguirei fazer. 

São apenas as melhores pessoas do mundo. Eu sei que todos dizemos isto em relação aos nossos, mas os meus são mesmo as melhores pessoas do mundo. Nunca faltaram com nada. Sempre tentaram dar tudo. Da melhor forma como sabiam. Da melhor forma como sabem. Aqui, o defeito é meu. Tão somente meu. 

Hoje nasceu este texto e que me perdoes, mas hoje tenho alma pesada tenho mesmo alma pesada. Se houver alguém desse lado, mais uma vez o meu muito obrigado. Desejo que consigas cumprir tudo o que desejas. Que sejas generoso para com os teus. 

Não carrego inveja sobre ninguém. Não carrego inveja, não carrego ressentimento. Não invejo seja quem for. A sua fortuna, o seu azar. Quero mesmo o melhor para todos. Para mim, parece que não foi assim. E lamento. Lamento mesmo. 

 Até ao próximo texto. 

Fica bem